Projeto anunciado na Alemanha marca nova fase econômica para Areia Branca, cidade que já viveu ciclo histórico ligado à produção de sal
O Brasil avança em um novo capítulo da transição energética, e o Rio Grande do Norte se posiciona como um dos protagonistas dessa movimentação. Um projeto bilionário de hidrogênio verde promete transformar a economia de uma cidade historicamente ligada à extração de sal, colocando o estado na rota da nova economia de baixo carbono.
O anúncio internacional do projeto
O Projeto Morro Pintado, da empresa Brazil Green Energy, prevê a instalação da primeira usina comercial de hidrogênio verde e amônia verde em escala industrial no Rio Grande do Norte, no município de Areia Branca, com investimento de R$ 12 bilhões e participação de grupos industriais alemães de referência global. A licença prévia para implantação foi apresentada durante a Hannover Messe 2026, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Movimento EconômicoMovimento Econômico
A escolha de Areia Branca como sede do empreendimento não é aleatória, já que o município carrega uma história econômica que remonta a décadas atrás. A cidade, que historicamente viveu de sua produção de sal, começa a desenhar um segundo ciclo econômico com a instalação da usina, que terá capacidade inicial de 80 mil toneladas de hidrogênio por ano. Movimento Econômico
Por trás do anúncio bilionário está uma preparação regulatória que o estado já vinha construindo. A viabilização da licença foi precedida pela sanção, em agosto de 2025, da Lei do Marco Regulatório do Hidrogênio e da Indústria Verde do estado, que estabeleceu a base jurídica necessária para atrair projetos de descarbonização em larga escala. Movimento Econômico
As empresas envolvidas no empreendimento
O projeto reúne um conjunto de companhias com atuação consolidada em diferentes elos da cadeia produtiva do hidrogênio verde. O Projeto Morro Pintado conta com a participação da própria Brazil Green Energy, da Green Investors e de empresas alemãs como ThyssenKrupp Uhde, Siemens e Andritz, consolidando uma parceria internacional voltada à produção em escala industrial. Movimento Econômico
A concretização do anúncio também contou com articulação direta do governo federal em território europeu. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos coordenou o anúncio internacional, com a participação de seu presidente, Laudemir Muller, que liderou uma missão comercial com cerca de 800 empresários e mais de 140 expositores no Pavilhão Brasil da feira alemã. Movimento Econômico
Um movimento que se espalha por outros estados
O Rio Grande do Norte não está sozinho nessa corrida. Outros estados brasileiros também avançam com projetos bilionários no setor, como o Ceará, que já negocia instalação de unidade fabril de hidrogênio e amônia verde no Complexo Portuário do Pecém, e o Piauí, que recebeu anúncio de usina apoiada pela União Europeia. Esse conjunto de iniciativas reforça a posição do país como destino estratégico para investimentos globais em energia limpa.
Segundo especialistas do setor, 2026 marca um ponto de virada para a viabilização definitiva desses projetos. Sete projetos em escala industrial, somando R$ 63 bilhões em investimentos, planejam chegar à decisão final de investimentos no Brasil ainda em 2026, colocando o país, de fato, na rota consolidada do hidrogênio verde. Instituto Arayara
O que esperar da economia do hidrogênio no Brasil
Com garantias regulatórias avançando e a demanda internacional, especialmente europeia, ganhando forma mais concreta, o Brasil se posiciona entre os principais destinos globais para investimentos em hidrogênio verde nos próximos anos. Para municípios como Areia Branca, o desafio agora é transformar o anúncio bilionário em geração efetiva de empregos e desenvolvimento local, repetindo em escala ainda maior o que a extração de sal representou para a região ao longo do século passado.
Fontes:
https://movimentoeconomico.com.br/economia/energia/2026/04/23/do-sal-ao-hidrogenio-verde-rn-tera-usina-de-r-12-bi-em-areia-branca/
https://arayara.org/2026-ano-de-investimento-em-hidrogenio-no-brasil/

