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Brasil

Profert cria metas para ampliar produção brasileira de fertilizantes

Redação Gazeta Do FuturoPor Redação Gazeta Do Futurooutubro 9, 2026Nenhum comentário
Trator com tanque espalha fertilizante sobre uma área agrícola sob céu claro.

O Brasil criou um novo programa para ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a vulnerabilidade do agronegócio diante das oscilações do mercado internacional. Instituído pela Lei nº 15.496, de 3 de setembro de 2026, o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) reúne medidas voltadas à expansão da indústria, à segurança alimentar e à estabilidade no abastecimento de insumos agrícolas.

A norma foi publicada no Diário Oficial da União em 4 de setembro. O programa contempla fertilizantes e matérias-primas sintéticas, minerais e orgânicas, além de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes. A proposta é estimular investimentos em diferentes segmentos da cadeia, incluindo alternativas associadas à transição tecnológica e à redução dos impactos ambientais da produção agrícola.

Programa mira dependência de fornecedores estrangeiros

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil representa cerca de 8% do consumo mundial de fertilizantes e importa aproximadamente 85% do volume utilizado no país. Essa dependência expõe produtores e empresas a variações de preços, interrupções logísticas e mudanças na oferta internacional.

O Profert foi estruturado para enfrentar esse cenário por meio de quatro objetivos centrais: diminuir a dependência externa, contribuir para a segurança alimentar, reduzir custos da cadeia agropecuária e garantir maior previsibilidade no fornecimento de insumos. A lei, contudo, não elimina de imediato a necessidade de importações. O resultado dependerá da implantação dos projetos, da expansão da capacidade produtiva e da regulamentação dos mecanismos previstos.

A iniciativa se conecta ao Plano Nacional de Fertilizantes, política que busca orientar ações de longo prazo para o setor. De acordo com a página do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre o Plano Nacional de Fertilizantes, o fortalecimento da cadeia nacional é tratado como parte da estratégia de desenvolvimento do país e de maior resiliência para o agronegócio.

Metas de participação nacional começam em 2027

Um dos principais instrumentos da nova legislação é a definição de percentuais mínimos para a participação de fertilizantes produzidos no Brasil nos produtos comercializados no mercado nacional. A exigência começa em 1º de julho de 2027, com percentual mínimo de 2%, e deve chegar a 10% até 1º de janeiro de 2037.

A partir de 2038, o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas poderá estabelecer percentuais entre 10% e 30%. A definição deverá considerar a capacidade de produção nacional e a viabilidade técnica. Dessa forma, o cronograma procura combinar uma expansão gradual da oferta doméstica com as condições efetivas da indústria brasileira.

Na prática, a medida cria uma referência regulatória para orientar investimentos e estimular a formação de fornecedores locais. O cumprimento das metas, porém, dependerá da existência de capacidade produtiva suficiente, de projetos habilitados e de condições técnicas para incorporar os produtos nacionais às formulações utilizadas pelos agricultores.

Projetos terão exigências ambientais e sociais

Além de estimular a produção, o Profert estabelece compromissos para as empresas participantes. A legislação prevê exigências relacionadas ao desenvolvimento local, ao diálogo com comunidades, à eficiência energética e à compensação ou mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Essas condições indicam que a expansão da indústria de fertilizantes deverá ser acompanhada por critérios de responsabilidade ambiental e territorial. O desafio será conciliar a necessidade de ampliar a oferta de insumos com a adoção de processos produtivos mais eficientes, a redução de impactos e a relação com as comunidades próximas aos empreendimentos.

O programa também prevê acompanhamento dos resultados. A legislação determina a publicação de relatórios anuais com informações sobre investimentos, capacidade instalada, produção adicional, redução da dependência externa e segurança do abastecimento. Esses dados poderão ajudar a medir se os incentivos estão se convertendo em novas unidades, aumento efetivo da oferta e maior previsibilidade para o setor agrícola.

Resultados dependerão de regulamentação e investimentos

A criação do Profert representa uma tentativa de transformar uma vulnerabilidade histórica da agricultura brasileira em uma agenda de desenvolvimento industrial. O país possui uma das maiores áreas agrícolas do mundo, mas ainda depende fortemente de fornecedores estrangeiros para garantir os nutrientes utilizados nas lavouras.

Entre a aprovação da lei e a redução efetiva das importações, entretanto, existe um percurso que envolve regulamentação, habilitação de projetos, financiamento, tecnologia e ampliação da capacidade instalada. Também será necessário acompanhar a evolução da produção de fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, além do desenvolvimento de bioinsumos e remineralizadores.

Com metas graduais e mecanismos de monitoramento, o Profert estabelece uma direção para a política brasileira de fertilizantes. Seus efeitos sobre custos, abastecimento e segurança alimentar dependerão da capacidade de o setor público e a iniciativa privada transformarem as regras em investimentos produtivos e oferta regular de insumos para o campo.

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