Muita gente acredita que um negócio cresce, contrata e pronto: a economia local agradece. A realidade é menos simples. O empreendedor Fredy da Silva Gonçalves Bento é CEO da Litoral Mobilidade, empresa de mobilidade elétrica que se tornou uma rede de lojas no litoral paulista, e o tamanho dessa operação ajuda a discutir o que de fato significa gerar empregos na Baixada Santista. Contar vagas é o começo da conta, e quase nunca o que ela tem de mais importante.
O que a geração de empregos esconde atrás do número de vagas?
Um número de contratações diz pouco sobre a qualidade do que foi criado. Em empresas de varejo, uma vaga pode ser função de balcão sem perspectiva ou porta de entrada de uma carreira, e a diferença está no depois da admissão: treinamento, acompanhamento e chance de assumir novas tarefas.
A Litoral Mobilidade tem mais de 40 colaboradores, segundo os dados da operação. Na avaliação de Fredy da Silva Gonçalves Bento, uma equipe desse porte só se sustenta quando cada função tem clareza do que se espera dela, porque o crescimento sem essa clareza produz ruído, retrabalho e desgaste entre quem está dentro.
Mobilidade elétrica pede um tipo de profissional que ainda se forma
Em mercados novos, a mão de obra pronta quase não existe. No setor de veículos elétricos leves, por exemplo, o técnico que sabe diagnosticar um controlador, trocar uma bateria ou orientar o comprador sobre o uso correto de um motor elétrico precisa ser formado dentro das próprias empresas, já que poucos cursos tratam do assunto com profundidade.
A ideia de que contratar é apenas preencher cadeira não se sustenta. Em lojas de elétricos, o vendedor também explica autonomia, carga e manutenção, e o profissional de pós-venda sustenta a confiança de quem comprou. Para Fredy da Silva Gonçalves Bento, a capacitação desses profissionais é parte do negócio, e não um custo paralelo a ele.
Formar gente leva tempo, e o tempo gasto com treinamento não aparece em nenhuma planilha de vagas. Em empresas de varejo, o investimento em ensinar separa quem cresce com solidez de quem apenas aumenta a folha de pagamento, porque a equipe bem preparada atende melhor, erra menos, resolve o problema do comprador sem recorrer a terceiros e permanece mais.
Rede de lojas e franquias: o emprego que se multiplica ou se dilui
Quando uma operação regional vira rede, a geração de empregos passa a depender de padrão. O projeto atual da Litoral Mobilidade é se tornar uma rede de franquias com expansão nacional, e isso levanta uma pergunta incômoda: o que vale para a matriz vale para quem for contratado em outra cidade?
Em redes de franquias, a qualidade do emprego costuma depender do suporte da franqueadora: manuais claros, treinamento inicial e acompanhamento depois da inauguração. Sem isso, cada unidade improvisa a própria cultura. Na visão de Fredy da Silva Gonçalves Bento, a expansão só gera emprego duradouro quando o modelo se repete sem perder o cuidado com as pessoas.
A primeira oportunidade de trabalho de um jovem, por exemplo, pesa mais do que parece. Uma empresa que ensina ofício, explica o porquê das tarefas e dá espaço para errar e corrigir deixa na região um profissional mais preparado, mesmo que ele um dia siga para outro empregador, levando consigo o que aprendeu.
O desenvolvimento econômico da Baixada Santista depende de perguntas sobre quem foi formado, em que condições e com que chance de crescer. Um emprego que ensina ofício e abre caminho para outras funções deixa na região um padrão de trabalho mais alto, e esse padrão acaba valendo para todas as empresas que contratam por ali.

