O equilíbrio na alimentação nem sempre está relacionado apenas ao que se come, mas também ao porquê se come, e Lucas Peralles, nutricionista e referência em nutrição esportiva em São Paulo, contribui para essa reflexão ao trazer uma visão mais consciente sobre a relação entre emoções, rotina e comportamento alimentar. Muitas pessoas acreditam que dificuldades com alimentação estão sempre ligadas à falta de disciplina, quando, na prática, o comportamento alimentar é influenciado por fatores emocionais, contextuais e até pela forma como a rotina está organizada. Isso torna o processo mais complexo do que simplesmente seguir uma regra ou plano alimentar.
A partir deste cliente, o objetivo será ajudar a diferenciar fome real de fome emocional, identificar gatilhos do dia a dia e mostrar como é possível construir uma relação mais equilibrada com a comida, sem culpa e sem rigidez excessiva.
Como saber se é fome real ou fome emocional?
A fome real, ou fisiológica, costuma aparecer de forma gradual e pode ser atendida com diferentes tipos de alimento. Ela vem acompanhada de sinais físicos, como sensação de estômago vazio, queda de energia ou dificuldade de concentração, e tende a diminuir após uma refeição equilibrada.
Já a fome emocional costuma surgir de forma mais repentina e geralmente está ligada a emoções específicas, como ansiedade, estresse, tédio ou frustração. Nesses casos, Lucas Peralles explica que é comum haver desejo por alimentos específicos, muitas vezes mais palatáveis, e a sensação de saciedade nem sempre resolve completamente o impulso de comer.
Outra diferença importante está na percepção após a alimentação, dado que, enquanto a fome real tende a gerar alívio e sensação de satisfação, a fome emocional pode vir acompanhada de culpa ou desconforto. Aprender a reconhecer esses sinais é um passo importante para desenvolver mais autonomia na relação com a alimentação.
Gatilhos emocionais, rotina e relação com a comida
Os gatilhos emocionais fazem parte da rotina de muitas pessoas e não devem ser ignorados ou tratados como falha individual. Situações de estresse, sobrecarga, cansaço e até momentos de lazer podem se associar ao comportamento alimentar, criando padrões que se repetem ao longo do tempo.
A rotina tem papel importante nesse processo, pois, como explana Lucas Peralles, os períodos longos sem se alimentar, horários irregulares ou alimentação desorganizada podem intensificar a vulnerabilidade a episódios de fome emocional, porque o corpo já está em estado de maior necessidade energética.
Quando o desequilíbrio alimentar merece mais atenção?
É natural que a fome emocional apareça em determinados momentos, especialmente em situações de maior carga emocional. No entanto, quando esse padrão se torna frequente, passa a ser a principal forma de lidar com emoções ou gerar sofrimento, é importante observar com mais cuidado.

Sinais como sensação de perda de controle ao comer, episódios recorrentes de exagero seguidos de culpa ou uso da comida como única estratégia de alívio emocional indicam que a relação com a alimentação pode estar mais desequilibrada. Nesses casos, o suporte profissional pode ser um caminho importante para entender melhor o que está acontecendo.
É fundamental também evitar autodiagnóstico ou rotulação excessiva, pois nem toda fome emocional é compulsão alimentar, e cada caso precisa ser analisado com critério. Lucas Peralles reforça a importância de tratar o tema com seriedade, mas sem gerar medo ou julgamento.
Equilíbrio na alimentação sem culpa, rigidez ou imposições
Construir equilíbrio na alimentação não significa eliminar completamente a influência emocional, mas aprender a lidar com ela de forma mais consciente. Isso envolve reconhecer padrões, ajustar a rotina e criar estratégias que não dependam exclusivamente da comida como resposta emocional.
Uma abordagem mais flexível tende a ser mais sustentável. Em vez de regras rígidas, o foco pode estar em organização, regularidade das refeições e atenção aos sinais de fome e saciedade. Esse tipo de construção ajuda a reduzir extremos e melhora a relação com o próprio processo. Também é importante considerar que o equilíbrio não acontece de forma imediata, ele é resultado de prática, observação e ajustes ao longo do tempo. Não existe controle absoluto, mas sim desenvolvimento de consciência alimentar.
Ao consolidar essa visão, Lucas Peralles mostra que diferenciar fome real de fome emocional é um passo importante para melhorar a relação com a comida, mas não deve ser tratado como regra rígida. Quando há mais compreensão, menos julgamento e maior organização da rotina, o processo se torna mais leve, mais realista e mais compatível com a vida cotidiana.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

